Gustavo Scarpa celebra a repercussão da Galeitura, clube do livro do Atlético-MG, e se surpreende ao ver Tolstói entre os livros mais vendidos, com apoio de atletas e torcedores

O meio-campista Gustavo Scarpa diz ter se surpreendido com a adesão de colegas e torcedores ao movimento de leitura batizado de Galeitura, que tomou as redes sociais do Atlético-MG.

Nas publicações, Scarpa tem indicado clássicos e feito pequenas resenhas em vídeo, o que gerou grande repercussão após A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, figurar entre os mais vendidos do país.

O próprio jogador comemorou, em tom de brincadeira, a repercussão e disse, “Nunca me senti tão famoso”, além de comentar, “Ainda mais um livro tão antigo”, sobre a popularidade da obra, conforme informação divulgada pela Redação SporTV.

Como nasceu o gosto pela leitura

Scarpa contou que a relação com os livros mudou a partir de 2018, quando defendia o Palmeiras e foi campeão brasileiro, e que no ano seguinte a leitura se transformou em prioridade.

Ele relatou que recebeu uma biografia do Steve Jobs de presente de uma tia, e depois firmou uma aposta com um amigo do clube: “a cada gol ele me daria um livro. Cada duas assistências, um livro”, aposta que, segundo Scarpa, não durou muito, porque o amigo começou a ter prejuízo.

Na própria temporada com o Verdão, Scarpa destacou números da sua campanha, “Scarpa anotou 13 gols e deu sete assistências no Verdão”, fato que ele relaciona ao período em que o hábito de leitura se fortaleceu.

Preferência por clássicos e descobertas

O meio-campista explicou que depois de leituras iniciais, como A Bíblia e a biografia de Steve Jobs, passou a se interessar por autores mais densos, citando Dostoiévski, Kafka e Victor Hugo.

Ele afirmou que alguns estilos, como Shakespeare e poesia, ainda são desafiadores, mas que seu terceiro ou quarto livro foi Kafka, O Processo, e que a influência de um amigo jurídico o levou a obras mais pesadas.

Galeitura no vestiário e na arquibancada

No Atlético, o hábito de Scarpa contagiou companheiros. Ele mencionou nomes que também passaram a ler e trocar indicações, como o meia Victor Hugo, o zagueiro Léo Duarte e o jogador Igor Gomes.

Os torcedores do Galo criaram a Galeitura para reunir leitores, e nos bastidores do clube a troca de opiniões sobre obras já virou assunto corrente entre atletas e equipe técnica.

Resenhas em vídeo e objetivo de aproximar leitores

Scarpa publicou resenhas em vídeo nas redes sociais e explicou que busca desmistificar títulos considerados tabus, oferecendo interpretações acessíveis, no seu estilo pessoal.

Ele disse, em suas próprias palavras, “Vou continuar nessa mesmo, fazendo do meu jeito. Não tento encaixar em certo tipo de análise. Eu falo o que lembro da história. Acho que por ser autêntico, tem dado certo”, afirmando que a naturalidade ajuda a conectar pessoas com a leitura.

Ao transformar indicações em conversa na televisão, no vestiário e nas redes, Gustavo Scarpa e a Galeitura mostram como um hábito pessoal pode virar movimento, aproximando atletas e torcedores de clássicos e leituras contemporâneas.


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