Entenda como e por que craques do futebol comprando clubes pequenos transformam ativos esportivos em plataformas de marca, receita e alcance internacional

Nos últimos meses, vários jogadores e ex-jogadores passaram a comprar ou investir em clubes de menor porte, em especial na Europa, buscando mais do que simples paixão pelo futebol.

A motivação combina retorno financeiro, construção de marca e exposição internacional, com possibilidades de valorização que times grandes não oferecem da mesma forma.

Essas movimentações e exemplos concretos ajudam a explicar o fenômeno que tem atraído nomes como Messi, Cristiano e Mbappé, conforme informações das fontes fornecidas.

Exemplos recentes e a presença das estrelas

Um caso emblemático é o de Lionel Messi, que em abril comprou 100% da União Esportiva Cornellà, clube catalão da Tercera Federación, quinta divisão espanhola, conhecido pelo trabalho de formação.

Poucos meses depois, Messi também chegou a um acordo preliminar para adquirir o Eldense, da segunda divisão, em negociação pelas ações do grupo colombiano TH Soluciones, sujeita a procedimentos jurídicos e à autorização do Conselho Superior de Esportes da Espanha.

Em outro movimento no futebol espanhol, Cristiano Ronaldo comprou 25% do Almería em fevereiro, por meio da CR7 Sports Investments, mostrando que a estratégia de investir em clubes menores tem força entre os maiores craques.

Por que clubes pequenos atraem investidores famosos

Uma razão prática é o custo, um clube de elite exige cifras bilionárias, enquanto uma equipe de divisões inferiores tem barreira de entrada menor e espaço para valorização.

Como explica Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados, “O profissionalismo é a chave para o sucesso no futebol. Quando investidores compram clubes de menor porte, independentemente de uma relação “passional” anterior, a gestão é feita baseada em critérios empresariais, com foco em resultados financeiros e, como consequência, esportivos“.

Assayag acrescenta que “Em divisões menos competitivas, o nível de investimento demandado é menor e o potencial de crescimento de receitas, logo, de lucros, é mais rápido. O mercado chama isso de potencial de “upside”, que, por ser maior, indica um potencial de retorno mais rápido do investimento feito“.

O efeito celebridade e a amplificação da exposição

Além do capital, craques levam nome, seguidores e repercussão global, o que pode transformar instantaneamente a visibilidade de um clube regional, atraindo patrocinadores e vendas de produtos.

Como observa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, “Mesmo a compra de um percentual irrelevante no processo decisório, se feita por uma celebridade, gera repercussão que extrapola o próprio noticiário esportivo. Traz interesse, ainda que em subprodutos dos clubes e suas marcas“.

O exemplo do Wrexham ilustra bem essa lógica, com Ryan Reynolds e Rob McElhenney assumindo o clube galês em 2021, quando a equipe estava na quinta divisão inglesa, e ganhando alcance global por meio da série documental “Welcome to Wrexham”.

O projeto terminou em sequência de acessos e maior receita comercial, e os investidores repetiram a aposta ao entrar no La Equidad, de Bogotá, ao lado de nomes como Eva Longoria.

Riscos, retornos e o futuro do movimento

O potencial de valorização existe, mas depende de gestão profissional, planos esportivos e capacidade de monetizar exposição, caso contrário o investimento pode não se concretizar em retorno financeiro.

Para muitos investidores famosos, a compra em clubes menores é uma combinação de oportunidade financeira e de marca, e a tendência é que mais celebridades entrem nesse mercado, ampliando ainda mais a presença dos craques do futebol comprando clubes pequenos.

Ao acompanhar casos como Messi, Cristiano e o Wrexham, fica claro que o movimento é tanto estratégico quanto simbólico, e deverá continuar mudando a forma como ativos esportivos são avaliados e explorados.


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