O centro de treinamento em Xerém, com 210 mil m² e cinco campos oficiais, e o Estádio Los Larios, ainda funcionais, contrastam com a queda esportiva e financeira do Tigres do Brasil
O complexo inaugurado entre 2008 e 2009 virou notícia pelo porte e pela ambição, com projeto que previa mais campos, ginásio, heliporto e até hotel cinco estrelas no ponto mais alto do terreno.
Menos de 20 anos depois, o clube enfrenta manutenção insuficiente, dívidas trabalhistas e perda de parcerias, e hoje disputa divisões inferiores do futebol carioca, em um cenário que contrasta fortemente com sua infraestrutura.
Neste texto você vai entender como uma estrutura considerada a maior e mais moderna do Rio foi perdendo força, quais problemas arrastaram o clube e qual a situação atual do Tigres do Brasil, conforme informação divulgada pelo ge
Do projeto ambicioso à realidade
O Tigres do Brasil foi fundado em 2004 por Aristóteles e Miguel Larios, da família proprietária da Poland Química, e teve a construção do CT e do estádio integralmente custeada por investimento privado.
Na inauguração, o CT de Xerém ocupava 210 mil m², tinha cinco campos com medidas oficiais e um estádio com capacidade projetada em torno de 11 mil pessoas, e saiu na mídia como referência entre clubes do Rio.
O plano dos donos para o vale rodeado pela Mata Atlântica incluía ainda mais campos, um ginásio poliesportivo, heliporto e um hotel, mas boa parte desse projeto continuou apenas no papel.
Estrutura física, uso e sinais de abandono
Mesmo com sinais de descuido, como sujeira nas pedras do muro, buracos nas grades de proteção, telhado arrancado por ventania e a piscina vazia sem o tigre de azulejos, o complexo segue funcional.
O estádio Los Larios tem laudos em dia e liberação do Corpo de Bombeiros para receber até 5.088 pessoas, e os cinco campos de treinamento permanecem bem cuidados e em uso por categorias de base.
Além dos campos e do estádio, o CT mantém uma quadra de treino para goleiros, dois campos de areia, academia, refeitório e oito chalés para alojamento, características que fizeram o local ser comparado às sedes dos grandes do Rio.
Erros de gestão, parcerias frustradas e a dependência de vendas
Aristóteles Larios, presidente do clube, resume o paradoxo com uma frase direta, “Essa é uma estrutura de clube grande, de clube que tem uma receita recorrente maior”, e aponta que a ausência de receitas estáveis força o clube a depender da negociação de jogadores da base.
Ele também disse, “Mas para fazer isso de forma competitiva, com clube de futebol e mantendo estrutura, você precisa de muito mais, na verdade, e aí você precisa de investidor, investidor sério”, evidenciando a busca por aporte externo que nunca se concretizou de forma sustentável.
Ao longo dos anos, o Tigres teve parcerias que não deram o resultado esperado, entre elas uma colaboração com o Corinthians, e, mais tarde, a gestão delegada à Soccer Stars Marketing Esportivo entre 2018 e 2024, que tinha obrigação contratual de destinar 20% do orçamento anual à manutenção do complexo, mas segundo a direção, esses investimentos não apareceram.
Dívidas trabalhistas, impedimento de inscrições e impacto esportivo
Os problemas financeiros se traduziram em ações na Justiça do Trabalho, e segundo certidão consultada no Tribunal Superior do Trabalho, o clube foi condenado em 44 processos de 2013 até agora.
Por conta dessas pendências, o Tigres do Brasil se encontra impedido de inscrever novos jogadores, o que afetou planos de disputa de competições de base e limitou a retomada esportiva após pedido de licença e dois anos sem competições oficiais.
Quando a parceria com a Soccer Stars terminou, em 2024, o clube pediu licença à federação e ficou dois anos fora de competições, voltando na temporada atual para tentar se reorganizar em divisões inferiores.
Jogos, desempenho recente e o futuro do clube
Nas poucas aparições na elite do Carioca, o Tigres teve momentos de destaque, como empate com o Flamengo no Maracanã e vitória por 5 a 0 sobre o Boavista, mas também sofreu rebaixamentos, com saída da Série A do Carioca em 2010 e participações intermitentes desde então.
Na tentativa de reduzir custos, a direção montou uma equipe jovem e com muitos jogadores da base, e a equipe chegou a disputar fases decisivas por acesso em torneios de base e divisões estaduais, mas acabou sem promoção nesta tentativa recente.
Aristóteles afirma que “Nos últimos 10 anos, muita coisa aconteceu que atrapalhou o andamento do clube, não só esportivamente, a gente, nos últimos dois, três anos, está com um olhar de ajeitar a casa devagarzinho para criar condições de poder evoluir novamente”, e reforça a prudência na busca por novos sócios.
Em suas palavras finais sobre o tema, ele alertou, “Obviamente a gente tem que ser mais criterioso com quem se aproxima, desde que seja um trabalho sério, não pode ser uma coisa achando que vai ganhar no mês que vem, tem que ser algo que efetivamente possa nos respaldar e nos dar segurança jurídica, financeira etc de que o clube vai evoluir e não se deteriorar, como acabou acontecendo”.
O futuro do Tigres do Brasil passa por encontrar parceiros com compromisso jurídico e financeiro, normalizar pendências trabalhistas e transformar uma infraestrutura robusta em receitas sustentáveis, para que o CT de Xerém e o Estádio Los Larios voltem a refletir um projeto esportivo compatível com sua dimensão.

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