Proibição de bets acende alerta no Flamengo, Bap afirma que medida pode comprometer pagamentos, contratos e arrecadação estimada em R$ 400 milhões, e pede revisão pelo Congresso ou STF
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, criticou nesta segunda-feira a proibição de bets anunciada pelo Governo Federal, ao afirmar que a decisão tem impacto direto no planejamento financeiro do clube e na manutenção do elenco.
Segundo o dirigente, a restrição às casas de apostas cria apreensão sobre a estabilidade dos contratos e pode reduzir receitas futuras, obrigando o clube a buscar alternativas, mesmo que com valores inferiores aos atuais.
O presidente citou compromissos assumidos pelo Flamengo para a próxima temporada, e pediu que a medida seja revisada pelo Supremo Tribunal Federal ou rejeitada pelo Congresso Nacional, conforme informação divulgada pelo g1
O alerta financeiro do Flamengo
Bap disse que a proibição de bets afeta diretamente compromissos financeiros assumidos pela instituição, e que o clube estima que deixará de arrecadar cerca de R$ 400 milhões. Para ele, a perda de receita impacta a folha de pagamento e as contratações planejadas para 2026.
Em declaração à Flamengo TV, o presidente questionou a sustentabilidade do plano financeiro diante da medida, e afirmou que o clube terá de buscar patrocínios alternativos, com valores muito abaixo dos atuais.
O que disse Bap sobre contratos e elenco
O dirigente fez declarações diretas sobre o efeito da proibição nas obrigações do Flamengo, incluindo a manutenção de jogadores. Ele afirmou, palavra por palavra, Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo. Tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Mas essa medida compromete as receitas no futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que nós fizemos. Afeta os esportes olímpicos, renúncia fiscal.
Bap também declarou, Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. Nós não temos condições, hoje, de honrar os compromissos que nós assumimos baseados em contratos legais. Eu não tenho condição. Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais.
Argumentos sobre regulação e princípio do banimento
O presidente alertou que a regulação precisa de ajustes e que a solução adotada foi um banimento unilateral, no momento que foi, difícil de entender. Ele disse, Quando se trata de regulação, é tudo exaustivo. A tecnologia mostra que o que parece ótimo hoje, amanhã não é tão bom. Tem que ter ajustes. Agora, banimento unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é difícil de entender (…). E causa uma apreensão enorme sobre os contratos.
Além disso, Bap afirmou que a decisão pode enfraquecer ainda mais o futebol brasileiro e beneficiar competições estrangeiras, Ao final, Vai haver um enfraquecimento ainda maior no futebol brasileiro e um fortalecimento do futebol argentino. Você não vai reduzir o endividamento do brasileiro médio com essa decisão. Tenha certeza absoluta disso.
O que prevê a Medida Provisória e prazos
O Governo Federal anunciou a suspensão da atividade de casas de apostas e determinou regras de encerramento, com devolução de valores em conta para apostadores até as 23h59 do dia 5 de outubro, e retirada de sites e aplicativos do ar a partir do dia 6 de outubro. Novos aportes financeiros para contas em plataformas já ficaram vedados com a publicação da Medida Provisória.
O presidente Lula assinou um projeto de lei que será enviado ao Congresso Nacional, definindo conceitos e tipificando crimes relativos a apostas de cota fixa, as bets, e também anunciou um programa de renegociação de dívidas voltado, entre outros públicos, a famílias que se endividaram por causa do vício em apostas online.
Em meio ao debate, o Flamengo e seu presidente pedem atenção às consequências econômicas da proibição de bets para o futebol, para contratos em vigor e para a previsibilidade financeira do clube, enquanto aguardam uma revisão da medida pelos poderes competentes.

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