A pressa do São Paulo para aprovar o contrato com a Ticketmaster visa garantir recursos imediatos, incluindo R$ 30 milhões pelo camarote e R$ 110 milhões em antecipação, e reduzir a pressão sobre pagamentos ao elenco

O Conselho Deliberativo do São Paulo inicia a votação do contrato com a Ticketmaster nesta terça-feira, em um processo que a diretoria trata como urgente para sanar problemas de caixa. A expectativa do clube é receber uma soma significativa em poucas semanas, o que justificaria a pressa administrativa e política.

A proposta prevê pagamentos iniciais e condições de devolução escalonada, com impacto direto na capacidade do clube de quitar salários e compromissos de imagem que estavam atrasados. Para a diretoria, esse fluxo de caixa de curto prazo é determinante para cumprir acordos com o elenco.

Conforme informação divulgada pelo ge.

Como funciona a antecipação e o fluxo de recursos

A proposta da Ticketmaster prevê que o clube receberá R$ 30 milhões logo após a assinatura pelo direito de gerir o camarote 29A, e mais R$ 110 milhões em até 45 dias após a aprovação do contrato, totalizando R$ 140 milhões em menos de dois meses. Os R$ 110 milhões serão tratados como uma espécie de empréstimo, a ser devolvido em cinco anos, com juros seguindo o CDI mais 1,99%.

O acordo limita a devolução pela renda do Morumbi, com um teto mensal de R$ 1,8 milhão. Como exemplificado no documento, “Num mês em que o clube arrecadar R$ 10 milhões, por exemplo, de renda líquida, ‘apenas’ R$ 1,8 milhão será devolvido à Ticketmaster”. O contrato também prevê mais R$ 6 milhões destinados à reforma do Museu São Paulo.

Termos financeiros, taxas e gestão do sócio-torcedor

Além da antecipação, a Ticketmaster cobrará uma taxa de administração sobre cada ingresso, de até 10%, ou 8% quando a entrada for física. A gestão do programa de sócio-torcedor também estaria sob a nova gestora, com taxa de 8% por associado, e o clube espera reduzir custos ao centralizar ingressos e sócio-torcedor em uma única prestadora.

Para a diretoria, a combinação de pagamentos iniciais e a padronização operacional tornam a proposta economicamente atrativa frente às alternativas apresentadas no processo de licitação.

Por que a diretoria chama o acordo de “salvação” e as críticas internas

Nas últimas semanas, a direção do São Paulo apresentou o contrato como a única solução viável para quitar vencimentos do elenco, e chegou a responsabilizar a demora na votação no Conselho pelos atrasos. Em nota citada pela apuração, o clube afirmou, “O São Paulo lamenta a questão do contrato com a Ticketmaster estar sendo tratado como algo político e eleitoreiro. O contrato foi aprovado no dia 19 pelo Conselho de Administração e está desde o dia 27 com o presidente do Conselho Deliberativo”.

Também houve descumprimento de um acordo com o elenco para quitar direitos de imagem até o fim de agosto, e a diretoria condicionou o pagamento à aprovação do contrato, estipulando um novo prazo que coincide com a votação.

A comissão do Conselho, as ressalvas e a comparação com concorrentes

O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, determinou a criação de uma comissão para avaliar a proposta depois de uma denúncia da NewC, que também concorreu à gestão de ingressos. Foram quase 20 dias de análise e consultas a diretores envolvidos na negociação.

Segundo o parecer, “a comissão elaborou um parecer com conclusão favorável ao acordo com a Ticketmaster, mas fez ressalvas sobre a condução do processo”. Na comparação final, a comissão considerou a proposta da Ticketmaster mais vantajosa, com aproximadamente R$ 110 milhões de antecipação contra cerca de R$ 90 milhões apresentados pela NewC, e cerca de R$ 30 milhões pelo camarote contra R$ 13 milhões da concorrente.

O documento aponta, porém, que havia inconsistências na documentação e falhas procedimentais, e conclui que “as falhas impedem que o procedimento seja considerado plenamente regular e isonômico, embora não tenham sido encontrados elementos suficientes para caracterizar direcionamento ou favorecimento deliberado”. Ainda assim, a avaliação técnica favoreceu a Ticketmaster entre as propostas comparadas.

A votação do Conselho vai até as 17h de quarta-feira, e, se aprovada, a direção projeta que os recursos iniciais cheguem ao caixa em até 45 dias, oferecendo à gestão do clube uma folga financeira de curto prazo para buscar soluções estruturais no médio e longo prazo.


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