João Carlos, ex-zagueiro multicampeão no Cruzeiro e no Corinthians, revive momentos decisivos da carreira, da infância difícil até o título mundial de clubes em 2000.
Ele relembra episódios marcantes, como a proibição de entrar no vestiário no começo da carreira, a arritmia que encerrou sua trajetória como atleta e a famosa intervenção para que Marcelinho Carioca jogasse numa partida decisiva.
As declarações foram dadas em entrevista ao ge, com relatos diretos sobre conquistas e sacrifícios, conforme informação divulgada pelo ge.
Do começo humilde às conquistas internacionais
João Carlos lembra que a vida antes do futebol profissional foi dura, e que chegou a passar fome no início da carreira em Democrata de Sete Lagoas. Ele relata com franqueza, “Passei muita dificuldade, passei fome no meu início de carreira, não tenho vergonha nenhuma de falar para os meus filhos.”
Comprado pelo Cruzeiro em 1994, o zagueiro só ganhou espaço com Nelsinho Baptista em 1997, e atuou na final do Intercontinental contra o Borussia Dortmund, no Japão. Pelo Corinthians, ele foi Supercampeão, com títulos como o Brasileiro de 1999, o Mundial de Clubes 2000 e o Paulista de 2001, totalizando 92 jogos pelo clube, com nove gols marcados.
Pela Seleção Brasileira, participou de 10 jogos, foi titular e campeão da Copa América 1999 no Paraguai, e foi vice da Copa das Confederações no México.
O ‘resgate de Marcelinho’ no vestiário
João Carlos relatou uma passagem em que teve de intervir para que Marcelinho Carioca fosse escalado, enquanto o treinador Vanderlei Luxemburgo ameaçava deixá-lo fora. Ele descreveu a tensão antes do jogo da Copa do Brasil contra a Ponte Preta, e recordou o momento a bordo do ônibus: ‘ô, Marcelinho está fora’, e nós: ‘pronto, perdemos o nosso craque’.
No vestiário, pressionado pelos colegas, ele foi falar com Luxemburgo e pediu a volta do jogador, ouvindo a advertência do treinador, ‘Marcelinho vai para o jogo, mas se ele fizer merda, for expulso, você que é culpado e você que vai embora’. João Carlos então chamou Marcelinho e pediu que ele ‘não arruma encrenca, não arruma confusão, somente jogar futebol’. O resultado foi favorável, com um triunfo e três gols cobrados de falta, incluindo uma cobrança de Marcelinho.
Preconceito no clube, salário e quase ida à Europa
Ele conta que, no Cruzeiro, quando Paulo Autuori chegou ele foi colocado para treinar separado e chegou a ser proibido de trocar de roupa junto com os outros, chegando cedo e saindo antes, em uma fase que descreveu como muito difícil.
Sobre salários e reconhecimento, lembrou que antes da venda ao Corinthians ganhava pouco, e que ao ser convocado para a Seleção disse que “ganhava R$ 12 mil”, enquanto companheiros recebiam valores muito maiores. A transferência para o Corinthians, em meados de 1999, mudou sua situação financeira.
João Carlos também contou que teve propostas da Europa, incluindo Monaco, Lyon e monitoramento do Milan, mas várias negociações não foram concluídas, e ele acabou seguindo trajetórias no Brasil e no Japão.
Por que desistiu de ser treinador e novo rumo na vida
Depois de parar como jogador em 2016, João Carlos tentou a carreira de treinador por 11 anos, rodando por equipes do interior de Minas, do Rio Grande do Sul e do Amapá, e investindo na formação, mas acabou optando por parar por razões familiares.
Ele disse que, com os filhos crescendo e a família sentindo a ausência, concordou em voltar para Sete Lagoas, onde hoje atua como assessor parlamentar e treina crianças no futsal de uma escola particular. Emocionado, citou um ensinamento materno, ‘Um ensinamento que tive da minha mãe sempre falou quando eu fui para o Cruzeiro, minha mãe falou, falou meu filho, vá, cresça, busca seus sonhos, procure crescer, mas nunca esqueça das suas origens’.

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