Aos 61 anos, o catarinense Valmor Machado transformou a vida por meio do triatlo, superou dependência química e uma limitação pulmonar de 70% para carimbar vaga no Mundial em Hamburgo

Valmor Machado viveu episódios dramáticos na juventude, com mais de 10 internações para tratar a dependência química, e encontrou no esporte um caminho de reconstrução pessoal.

Ele aprendeu a nadar na vida adulta, passou a competir em provas longas e, aos 61 anos, garantiu presença no Mundial amador de triatlo, que será em Hamburgo em 2027.

Conquistas como 10 Ironmans, um tempo de 11h36min em sua primeira prova longa e treinos que incluem nadar 2.000 metros, três vezes por semana mostram a rotina do atleta, conforme informação divulgada pelo g1.

Da dependência à atividade física como redenção

Valmor recorda que enfrentou um longo período de dependência química, com internações que o afastaram da família e prejudicaram a saúde. Ele conta que superou o vício em 1993 e foi diagnosticado com transtorno de personalidade borderline, entre outras questões, e que as terapias em grupo foram importantes, mas insuficientes para preencher sua busca por plenitude.

“A minha história não é igual, mas lembra a de tantas outras pessoas que passaram por dificuldades. Encontrei muita gente que descobriu no esporte uma nova maneira de viver, superando algum drama pessoal. Fui dependente químico por muito tempo e, quando consegui superar o vício, lá em 1993 (aos 28 anos), acabei diagnosticado com transtorno de personalidade borderline (caracterizado, entre outras coisas, por humor instável). Frequentei terapias em grupo, mas sentia que precisava de mais alguma coisa para complementar isso. Sempre fui muito ativo”, declarou Valmor em entrevista, segundo a reportagem.

Aprender a nadar, a chave para entrar no triatlo

Mesmo tendo boa performance na corrida e no mountain bike, Valmor não sabia nadar quando recebeu o convite para um Ironman. Ele começou aulas em um clube de Florianópolis, lembrando que no primeiro dia não conseguia nem entrar na piscina ou colocar a touca.

Com perseverança, evoluiu dos exercícios com prancha para trajetos maiores e, em 2013, se inscreveu no Ironman. Em janeiro daquele ano, quando a piscina do clube estava fechada por férias, Valmor chegou a invadir as instalações à noite para manter o treino, e concluiu a prova longa em 11h36min.

Trajetória em Mundiais e rotina de treinos

Seu envolvimento com o triatlo levou Valmor a disputar Mundiais amadores a partir de 2018. Ele participou das edições de 2018 e 2019 na faixa 50-54 anos, e competiu em 2022, 2023 e 2024 na categoria 55-59 anos. Em 2025 já disputou entre 60 e 64 anos.

Recentemente, Valmor participou da seletiva nacional em Brasília e, ao ficar em sexto lugar na sua categoria, garantiu a vaga para o Mundial de Hamburgo, em 2027. A carreira inclui, ao todo, 10 Ironmans, e a última participação em prova longa foi em 2025, aos 60 anos.

Na preparação, ele nada 2.000 metros, três vezes por semana, combina uma sessão com pedal, faz musculação e corre distâncias entre 7 e 15 km em outros dias. Valmor afirma que prefere a vivência do treino à busca por resultados, e que o esporte lhe trouxe propósito e longevidade.

O significado do triatlo para Valmor

Valmor descreve o triatlo como uma experiência quase espiritual, porque reúne três esportes em um e lhe permite momentos de conexão. “O meu entusiasmo é a longevidade. Vejo senhores e senhoras mais velhas do que eu, com 70, 80, 90 anos, ainda fazendo o que faço. Quero ser assim também. Quero ser um dos atletas mais longevos da história do triatlo catarinense. E espero não estar sozinho. Recordes, tempos, marcas acabam. Ficam as nossas experiências, pessoas que conhecemos, momentos que vivemos”, afirmou o atleta.

A trajetória de Valmor, dos episódios de dependência ao aprendizado de nadar e à vaga no Mundial de triatlo, exemplifica o poder transformador do esporte, e reforça a mensagem de que nunca é tarde para encontrar novos caminhos.


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