Clubes do interior cobram critérios públicos, inclusão dos Módulos, da Segunda Divisão e do futebol feminino no repasse do auxílio milionário do Governo de Minas
Clubes do interior de Minas divulgaram um manifesto coletivo em reação ao anúncio de apoio financeiro feito pelo Governo de Minas a três times da capital.
As equipes pedem audiência urgente, critérios objetivos e públicos para distribuição de recursos e a destinação de verbas também para base e futebol feminino.
Os pedidos foram formalizados após o governo anunciar patrocínios estaduais que totalizam R$ 32 milhões, conforme informação divulgada pelo Governo de Minas.
O que pedem os clubes e trechos do manifesto
No chamado “Manifesto do Futebol Mineiro”, os clubes reforçam que “Minas não é só a capital. O futebol mineiro tem 853 municípios. E pede para ser ouvido.”
O documento exige a “inclusão dos clubes dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e do Feminino”, a adoção de “critérios objetivos e públicos, com cotas por divisão” e a destinação de recursos “para a base e o futebol feminino”.
Os signatários incluem equipes como Athletic, Villa Nova, Guarani-MG, Aymorés, Betim, Mamoré, Boa Esporte, Ipatinga e Itabirito, que passaram a divulgar o manifesto nas redes sociais.
Detalhes do anúncio do Governo de Minas e valores
O anúncio foi feito na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, BDMG, em Belo Horizonte, com representantes de Atlético, Cruzeiro e América presentes.
Segundo o comunicado do Governo de Minas, Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, e o América terá R$ 2 milhões, totalizando R$ 32 milhões em patrocínios de estatais.
As empresas estaduais envolvidas serão a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, Codemge, e a Companhia Energética de Minas Gerais, Cemig, que terão espaços de exposição a serem negociados com os clubes.
O governo informou ainda que haverá contrapartidas, como investimento no futebol feminino e ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda para partidas específicas, e que as condições serão negociadas individualmente para não interferir em contratos já vigentes.
Contexto federal e motivo do repasse emergencial
O aporte veio após o Governo Federal publicar uma Medida Provisória que suspende a atividade de casas de apostas no país, medida que levou clubes a perder contratos com plataformas de bets.
A suspensão prevê que as casas de apostas devolvam valores em conta para apostadores até as 23h59 do dia 5 de outubro, e que, a partir do dia 6 de outubro, sites e aplicativos saiam do ar, com a operação das plataformas proibida.
O presidente Lula assinou um Projeto de Lei que será enviado ao Congresso Nacional com definições e tipificação de crimes relativos às apostas de cota fixa, e o governo anunciou também um programa de renegociação de dívidas para famílias afetadas por vício em apostas online.
Próximos passos, mediação e exigência por isonomia
Os clubes do interior pedem uma audiência urgente, intermediada pela Federação Mineira de Futebol, FMF, para representar as entidades junto ao Governo de Minas e às estatais.
Além do pedido de inclusão das divisões de acesso e do futebol feminino, o manifesto afirma claramente, em trecho citado, “Não pedimos privilégio. Pedimos isonomia.”
O governo ainda mantém conversas com Athletic, de São João del-Rei, e com o Uberlândia, campeão da Série D, para patrocínios adicionais, mas os clubes do interior querem que qualquer novo repasse siga critérios públicos e beneficie toda a estrutura do futebol mineiro, da base ao feminino.

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