O rótulo de novo Messi virou armadilha, com apostas estrangeiras que chegaram ao Brasil entre expectativas altas e retornos modestos, e agora enfrentam limite de vagas da CBF até 2030
Nos últimos anos, clubes brasileiros ampliaram a busca por talentos na América do Sul, atraídos pela promessa de achar o próximo fenômeno, o chamado novo Messi.
Muitas contratações vieram embaladas por expectativas grandes, capas de jornais e indicações de craques, mas a adaptação quase nunca correspondeu ao hype.
Esses processos e fracassos aparecem em vários casos que marcaram torcedores e diretoria, conforme informação divulgada pela apuração original.
Por que o rótulo pesa
Colocar um apelido como novo Messi sobre um jogador cria expectativa esportiva e de marketing, e aumenta a pressão para desempenho imediato.
No Brasil, o fenômeno começou logo após a explosão de Lionel Messi na Espanha, e abasteceu negociações e capas, como a manchete do jornal Marca que chamou um atleta de “o Messi Brasileiro”.
O peso do rótulo também atraiu empresários e comparações com craques locais, mesmo quando a trajetória do jogador era discreta ou em início de carreira.
Casos emblemáticos e números
Um argentino vindo do Huracán, que havia se destacado ao lado de Javier Pastore em 2009, foi apresentado com a camisa 10 no Corinthians, em um time que já contava com Ronaldo.
Custou cerca de US$ 4 milhões e jamais fez jus às expectativas, foram só três gols até ser emprestado ao Independiente, em 2011, e a carreira não deslanchou, encerrando-se em 2021, aos 32 anos.
Outro exemplo foi Patrício Rodriguez, o Patito, contratado pelo Santos com o aval de Neymar em julho de 2012, elogiado por dribles e promessa de ser parceiro ofensivo.
No entanto, Patito teve poucos jogos e gols, foi emprestado e deixou o clube em 2016, seguindo depois para uma carreira mais consistente na Bolívia, onde desde 2022 defende o Bolívar.
Juan Manuel Iturbe, apelidado de “Messi Guarani” nas bases e com passagens por Porto, Roma e Torino, chegou ao Grêmio em 2023, aos 30 anos, participou de seis partidas sem gols e acabou retornando ao Cerro Porteño.
Há também o jogador primo do craque argentino, que fez carreira no Paraguai e foi contratado em 2007 pelo Flamengo, integrando o elenco campeão brasileiro em 2009, e que depois teve destaque em clubes baianos.
No caso do atacante do Santos apelidado de “Messi Brasileiro” pela capa do Marca, o apelido veio do empresário Wagner Ribeiro em 2008, e apesar de marcar o gol do título paulista naquele ano, não consolidou a carreira em grandes centros e rodou por diversos clubes brasileiros.
O que muda com a regra da CBF
Além dos fatores técnicos e de adaptação, a política também passa a influenciar: atualmente, são permitidos nove estrangeiros por partida, mas a CBF aprovou norma que reduzirá esse número para cinco em 2030.
Com menos vagas, clubes brasileiros terão de ser mais criteriosos nas contratações internacionais, evitando apostas de alto risco como as que alimentaram a busca pelo novo Messi.
Decisões de investimento, análise de perfil e integração ao elenco devem ganhar peso, para que rótulos de mercado não se transformem em desperdício financeiro e desgaste esportivo.
Conclusão
O apelo do rótulo novo Messi rendeu manchetes e expectativas, mas os exemplos no Brasil mostram que encaixe, maturidade e contexto do clube são determinantes para sucesso.
Com a mudança nas regras da CBF e com a experiência acumulada, clubes precisam selecionar melhor reforços estrangeiros, evitando repetir históricos de promessas frustradas e aprendendo a equilibrar marketing com planejamento esportivo.

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