A investigação do Ministério Público de São Paulo entrou na reta final e reúne elementos que, por ora, apontam para um pedido de intervenção no Corinthians. A apuração avalia se a atual estrutura do clube tem condições de resolver irregularidades, enfrentar dificuldades financeiras e cumprir sua função social como associação.
Promotores que conduzem o inquérito ainda não decidiram formalmente pela ação civil pública, nem pela extensão da medida, porque há documentos e depoimentos pendentes. Fontes ouvidas pelo ge indicam, entretanto, que, se o inquérito encerrasse hoje, haveria pedido à Justiça.
O caso avança com o trabalho dos promotores Luiz Ambra Neto, André Pascoal e, recentemente, Silvio Antônio Marques, em razão da complexidade e do volume de material reunido, conforme informação divulgada pelo ge.
Como a investigação foi conduzida
Desde o início do inquérito, em meados de maio, os promotores receberam denúncias, analisaram reportagens, ouviram pessoas ligadas ao clube e acessaram documentos internos. O inquérito já conta com mais de dez depoimentos e cerca de 3 mil páginas de extensão, o que permitiu montar um quadro detalhado das práticas administrativas.
Para reforçar a apuração, o promotor Silvio Antônio Marques, conhecido por atuar em casos de improbidade administrativa, passou a integrar a equipe, que decidiu trabalhar em três na reta final do processo. Apesar do avanço, há provas e declarações ainda por obter, o que mantém em aberto a decisão final.
Quais são os eixos da apuração
A investigação se estruturou em três frentes principais, voltadas a problemas distintos e interligados. A primeira é a frente financeira, centrada na dívida do clube, estimada em R$ 2,8 bilhões, e nas medidas adotadas para enfrentamento desse endividamento.
A segunda frente é político-estrutural, que examina a organização interna, a atuação da administração e o funcionamento dos poderes do clube, para verificar se os mecanismos internos têm sido eficazes. A terceira frente apura atos e contratos considerados lesivos, com possíveis irregularidades e prejuízos ao Corinthians.
Consequências possíveis e próximos passos
Se o Ministério Público decidir entrar com ação civil pública pedindo a intervenção, caberá ao Judiciário autorizar ou não a medida, e determinar sua extensão. Entre as opções consideradas pelos promotores está propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a atual diretoria, para corrigir falhas e evitar a intervenção.
O promotor ouvido pelas fontes indicou que, em sua avaliação, se fosse o presidente Osmar Stabile, procuraria o MP para negociar um TAC, mas não houve contato formal. Não há prazo fixado pelo MP para a conclusão do inquérito, e é possível que a finalização ocorra antes das eleições para presidência e Conselho Deliberativo do Corinthians, marcadas para 28 de novembro.
O que está em jogo para o clube
A decisão sobre pedir intervenção no Corinthians vai além de apurar erros passados, envolve avaliar se os órgãos internos conseguem gerir a crise e proteger o patrimônio associativo. Caso a Justiça autorize a intervenção, poderá haver mudanças na condução administrativa e no calendário político do clube.
Até que o MP protocole eventual ação, o cenário permanece de incerteza, com a investigação avançando e a possibilidade concreta de que medidas judiciais sejam propostas se os promotores concluírem que a estrutura interna não tem se mostrado capaz de corrigir as irregularidades apontadas, conforme informação divulgada pelo ge.

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